Publicação seriada eletrônica de fluxo contínuo
e-ISSN [em processo de solicitação]
Ensaios dedicados à análise das interações entre indivíduos, instituições e estruturas organizadas, examinando como decisões locais produzem efeitos sistêmicos e como arranjos institucionais moldam comportamentos coletivos. Este eixo investiga coordenação imperfeita, dependência de trajetória, arquitetura de incentivos e dinâmicas emergentes em sistemas sociais, econômicos e regulatórios.
Reúne textos que exploram a lógica estrutural dos mercados, das formas de valor e dos mecanismos de coordenação econômica. Os ensaios analisam como estruturas institucionais, regras de troca e arranjos produtivos influenciam eficiência, distribuição, estabilidade e transformação econômica ao longo do tempo.
Este eixo concentra reflexões sobre decisão humana sob restrição, incerteza e irreversibilidade temporal. Os ensaios investigam formação de preferências, identidade, racionalidade limitada, custos invisíveis de escolha e tensões entre autonomia individual e condicionamentos estruturais.
Conjunto de textos voltados à compreensão do risco como estrutura constitutiva dos sistemas e da incerteza como condição permanente da ação. Os ensaios abordam previsibilidade limitada, fragilidade, adaptação, proteção e estratégias de resposta diante de eventos incertos em contextos pessoais, institucionais e econômicos.
ENSAIOS EDIÇÕES ATUAIS
Teoria da Assimetria Tecnológica e dos Limites Humanos
PR Callegari
Eixo: Economia & Estrutura
Resumo:
A economia moderna foi construída sobre uma hipótese silenciosa: a de que a escassez é uma condição natural e permanente. A partir dela, organizaram-se teorias do valor, arquiteturas institucionais, mecanismos de coordenação e conflitos distributivos. Mesmo quando criticada, a escassez permaneceu como eixo organizador implícito.
O século XXI introduz, porém, uma disjunção estrutural inédita. A aceleração tecnológica — particularmente a associada à inteligência artificial — rompe a simetria histórica entre capacidade produtiva e capacidade humana de absorção. O resultado não é apenas uma mudança quantitativa, mas uma transformação qualitativa na natureza do limite econômico. É nesse contexto que se insere a Teoria da Assimetria Tecnológica e dos Limites Humanos (TALH), que desloca o eixo analítico da escassez material para a finitude humana como variável estrutural da economia em regime de abundância técnica..
Identidade, escolha e comportamento econômico em ambientes de alta performatividade
PR Callegari
Eixo: Indivíduo & Escolha
Resumo:
Este ensaio investiga as implicações econômicas da fragilização estrutural da identidade subjetiva em contextos contemporâneos de alta performatividade digital. A hipótese central sustenta que, quando a identidade deixa de operar como eixo interno minimamente estável e passa a funcionar como interface programável — modulada probabilisticamente por arquiteturas sociotécnicas que organizam gradientes de incentivo sem determinar comportamentos de forma direta —, as preferências e decisões econômicas tornam-se estruturalmente mais voláteis. Propõe o conceito de identidade como interface programável, distingue plasticidade adaptativa de fragmentação desorganizada e introduz uma micro-tipologia da volatilidade em três dimensões. Conclui que a instabilidade identitária contemporânea constitui propriedade emergente funcional do sistema econômico — ao mesmo tempo em que levanta tensões éticas sobre a distribuição assimétrica de seus custos e questões estruturais ainda em aberto
Como Mercados de Proteção convergem para estados de subcobertura
PR Callegari
Eixo: Risco & Incerteza
Resumo:
Este ensaio investiga a subproteção em mercados de seguros de pessoas não como falha episódica ou desvio transitório, mas como equilíbrio estrutural estável. A tese central é que o chamado protection gap — lacuna persistente entre risco real e cobertura efetiva — emerge da interação sistêmica entre limitações cognitivas individuais (operando sob nevoeiro decisório), oferta defensiva institucionalizada e ausência de incentivos alinhados à suficiência protetiva. Mobilizando a distinção knightiana entre risco e incerteza, os conceitos de equilíbrio de Nash e seleção adversa (Akerlof), e a economia comportamental aplicada à decisão intertemporal, o ensaio demonstra que agentes racionais em seus respectivos contextos produzem, coletivamente, um resultado persistente de subcobertura. A subproteção estabiliza-se porque nenhum agente da cadeia detém incentivo dominante para romper o equilíbrio em direção à suficiência. Conclui-se que intervenções pontuais são insuficientes enquanto a arquitetura sistêmica de incentivos não for redesenhada. O ensaio propõe o conceito de equilíbrio defensivo coletivo como categoria analítica para compreender a persistência estrutural da lacuna de proteção.
Runway de cobertura e Intervalo de Vulnerabilidade como Dimensões Estruturais
PR Callegari
Eixo: Risco & Incerteza
Resumo:
Este ensaio propõe uma reinterpretação da proteção securitária a partir de suas dimensões temporais constitutivas, argumentando que a suficiência de cobertura não pode ser avaliada exclusivamente por seu valor nominal, mas deve ser compreendida em relação ao horizonte de vulnerabilidade que ela pretende cobrir. Para isso, articula dois conceitos analíticos centrais: o runway de cobertura — horizonte temporal durante o qual a proteção contratada é capaz de sustentar padrões mínimos de estabilidade familiar — e o intervalo de vulnerabilidade — período estruturalmente crítico entre o evento de ruptura e a restauração das capacidades funcionais autônomas da unidade familiar. A análise demonstra que o desalinhamento entre essas duas dimensões configura uma forma específica de subproteção estrutural, distinta tanto da ausência de cobertura quanto do seu subdimensionamento nominal. Mobilizando contribuições da economia comportamental, da teoria do risco e da arquitetura de decisão, o ensaio sustenta que mercados racionais de seguros produzem sistematicamente este desalinhamento temporal como resultado não de falha técnica, mas de uma arquitetura institucional que trata tempo como neutro. As implicações para o desenho de produtos, para a mensuração do protection gap e para a regulação setorial são desenvolvidas ao longo do argumento.
Seguro, Precificação e os Limites da Indenização diante do Incomensurável
PR Callegari
Eixo: Risco & Incerteza
Resumo:
Este ensaio examina os limites estruturais da precificação econômica da vida humana em contextos de risco extremo, involuntário e sistêmico.Partindo da articulação entre o romance Falling Man, de Don DeLillo, e o relato não ficcional What Is Life Worth?, de Kenneth Feinberg, o texto investiga como o evento do 11 de setembro de 2001 expôs as fronteiras do cálculo atuarial e impôs à economia um problema que excede seus instrumentos ordinários: atribuir valor monetário a perdas que resistem à mensuração.A abordagem mobiliza a economia dos seguros, a teoria da mutualização, a distinção knightiana entre risco e incerteza, e a crítica ao conceito de valor estatístico da vida (VSL) para demonstrar que, em eventos-limite, a função do seguro migra de mecanismo de eficiência individual para pacto social de sustentação da convivência.
O ensaio argumenta que indenização não equivale a reparação, e que a viabilidade da resposta coletiva ao incomensurável depende não da precisão do cálculo, mas da legitimidade do acordo que o sustenta.A contribuição conceitual central reside na distinção entre valor da vida como grandeza econômica e valor da vida como condição de continuidade civilizatória.